Sete em cada dez empresas na América Latina têm uma verba dedicada a programas de bem-estar para funcionários, sendo que 14% delas gastam de 501 milhões dólares a 1 bilhão de dólares anualmente com ações relacionadas à saúde dos funcionários. O principal foco está na prática de atividades físicas (72%), seguido pela alimentação saudável (69%).

Mas se engana quem pensa que o objetivo número 1 das organizações é reduzir os gastos com plano de saúde. Na verdade, essa opção aparece apenas em quarto lugar quando se trata das companhias da região. Nas primeiras posições do ranking estão a preocupação em aumentar o engajamento dos funcionários, reduzir a rotatividade de profissionais e atrair os melhores talentos.

Os dados são da pesquisa Tendências em bem-estar corporativo: como os benefícios estão moldando o futuro do trabalho, realizada globalmente pela Mercer, em parceria com o Gympass, com 225 corporações — sendo 50 delas da América Latina.

A análise mostra que se hoje as empresas investem na saúde física, em dois anos a saúde mental estará no centro das estratégias. É um reflexo do mundo moderno. “O futuro incerto no ambiente de trabalho deixa as pessoas doentes”, diz Rafael Ricarte, líder de produtos de carreira da Mercer e um dos responsáveis pelo estudo.

O conceito de bem-estar ficou mais amplo e agora envolve desde a comunicação com o líder até o significado que o trabalho tem para cada um

Para Majô Campos, vice-presidente de recursos humanos da Atento, essa insegurança acontece por vários motivos, entre eles a ausência de um diálogo claro entre a liderança e os subordinados. “A comunicação e a proximidade no dia a dia fazem falta. É papel do líder estar próximo de seus times”, diz.

Mas até onde vai a responsabilidade da organização em cuidar da qualidade de vida dos trabalhadores?

Majô lembra que saúde envolve uma série de elementos, que vão desde o bem-estar físico e mental até o assédio moral. “Isso tem a ver com o estilo de liderança e criar uma gerência respeitosa, entre outras coisas, é responsabilidade da companhia.”

Já Maria Susana de Souza, vice-presidente de RH da Raia Drogasil, lembra que a responsabilidade pela qualidade de vida não é apenas da corporação, pois engloba decisões pessoais. “É necessário impor limites. A carga de trabalho não compromete a qualidade de vida, mas, sim, o que você escolhe fazer no seu tempo livre”, afirma a executiva. “Um trabalho que te faz se sentir realizado é parte da qualidade de vida.”

Para ela, um ponto de preocupação menos discutido é o presenteísmo, quando os funcionários estão fisicamente no emprego, mas a cabeça flutua em outro lugar. “É importante colocar o mindfulness em prática, já que estamos sempre distraídos e, por isso, perdemos o foco”, diz Susana. A dica para os profissionais de RH é olhar para a saúde de maneira integral: física, mental, espiritual, social e ambiental.

Pequenos passos

Para discutir sobre o futuro do trabalho e a saúde das pessoas, o Gympass organizou um evento que reuniu cerca de 100 convidados, sendo a maior parte profissionais de recursos humanos de médias e grandes companhias.
Rafael, da Mercer, apresentou os dados da pesquisa da Améria Latina e, em seguida, foi realizado um debate mediado por Tatiana Sendin, diretora de conteúdo do Gympass para América Latina. Na ocasião, Majô, da Atento, e Maria Susana, da Raia Drogasil, detalharam os programas de bem-estar de suas organizações e falaram da importância de focar na saúde preventiva.

Por mais que as empresas aumentem o investimento em benefícios (segundo o estudo da Mercer, 57% das respondentes expandiram a oferta no último ano), os resultados obtidos ainda são lentos. Sair do foco da doença e partir para a prevenção exige paciência e dedicação do RH. “Essas evoluções são difíceis; é uma maratona. Mesmo com diversos investimentos, como alimentação saudável, check-ups, Gympass, em um ano os índices mudaram pouco”, diz Susana, que destaca: “Porém, é importante continuar oferecendo serviços que sirvam de suporte para uma vida mais saudável.”

Majô concorda. “Incentivar o exercício não é simples. O Gympass ajuda, pois dá às pessoas carentes a oportunidade de fazer uma atividade física, e vemos que havia uma grande demanda reprimida. Mas, ainda assim, os índices de saúde na Atento também não sofreram grandes alterações.”

Fato é que mudar hábitos, concluem as executivas, é um trabalho complexo. Como, então, comunicar e convencer os funcionários?

“Estamos escutando pouco as pessoas”, diz Rafael Ricarte, da Mercer. Segundo ele, apenas 29% das empresas na América Latina têm um mecanismo formal para ouvir o feedback de seus funcionários sobre o pacote de benefícios.

A tendência é que as políticas de recursos humanos sejam cada vez mais personalizadas, atendendo não só as diferenças geracionais, mas sobretudo se adequando ao momento de vida de cada indivíduo. Isso vai exigir um esforço extra dos profissionais de gestão de pessoas. “Nem tudo será submedida, mas é possível ter cuidado com as questões mais soft: conforto no vestir, jornadas flexíveis quando possível. Hoje, todos querem ser autênticos, querem poder ser a mesma pessoa dentro e fora do trabalho”, diz Susana.

Veja como foi o evento Good MorninGym, realizado pelo Gympass, em maio:


Galeria de fotos do Good MorninGym:

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