Nos últimos três dias, o Conarh, Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas, reuniu no pavilhão de exposições São Paulo Expo profissionais de recursos humanos e fornecedores de produtos e serviços, num ano fortemente marcado pela presença de diversas HR techs – as startups que nasceram para facilitar os processos de RH.

Frente a tanta mudança e inovação tecnológica, o tema do maior evento de recursos humanos do país foi Humanize. E para falar sobre humanização ninguém menos do que o médico Patch Adams, que inspirou o ator Robin Willians no filme Path Adams, o amor é contagioso. Apesar de realizar consultas de 4 horas e pregar que “a coisa mais importante da vida é o amor”, Patch, enfiado em sua camisa florida e sua calça de palhaço, afirmou que essa foi a primeira vez que falou sobre “humanização”. “Eu nunca acreditei em Deus em minha vida. Mas sempre que meus amigos se referem a Ele, eu vejo que aplicam as mesmas palavras que eu uso para falar sobre as pessoas próximas a mim”, disse ele para um salão lotado de espectadores, emitindo entre as frases um e outro som típico de palhaço. 

“O que eu digo é isso: humanize seus relacionamentos, e isso vale tanto para as relações familiares, quanto para as de trabalho”, afirmou Patch Adams.

Contudo, com o avanço da inteligência artificial, parece haver uma dicotomia entre “humano” e “humanizado”. Segundo Robert Duque, manager director da Accenture, uma em sete grandes empresas do mundo já usa alguma forma de AI. Apesar do medo que isso causa nos trabalhadores, a tecnologia deve ser vista como aliada – e não como ameaça.

“É importante que o RH acredite que as máquinas podem se unir às pessoas para ampliar sua capacidade, e não para lhes substituir”, disse Robert Duque ao citar J. C. R. Licklider, o dono do conceito “inteligência ampliada”.

Quando todas as companhias utilizarem inteligência artificial para analisar dados, o que fará a diferença na competição do mercado será a capacidade cognitiva, a decisão tomada com base nessa ou naquela informação. E não há nada mais humano do que essa habilidade.

Para ajudar os profissionais a navegar no futuro do trabalho, o RH deve rever como treina e desenvolve o time. Robert Duque sugere três disciplinas a serem ensinadas:

  • Nova literatura: as pessoas precisam entender sobre dados, tecnologias e codificação, para compreender que nem sempre 1+1 significa 2;
  • Habilidade cognitiva: significa aprender a ter pensamento criterioso e sistemático, ter agilidade cultural e visão empreendedora;
  • Capacidade de aprender: ser um eterno estudante é o elemento que mais deve afetar o mercado de trabalho. O recado aqui é: o processo não termina com o diploma – pelo contrário, começa.

A grande mensagem do Conarh 2019 é que para acompanhar a evolução das máquinas precisamos mais do que nunca ser humanos, munindo nossa curiosidade e nos adaptando ao momento.

Sandro Magald, co-fundador do meuSucesso.com, e José Salibi Neto, CEO da JSN Palestras e Mentoria, em um talk show para centenas de pessoas, resumiram: “Nossa grande ameaça não é se os robôs nos substituirão, mas, sim, nossa relutância em nos reinventarmos”. Grandes companhias morrem por fazer muito bem as mesmas coisas.

Nesse cenário, a cultura do aprendizado ganha força e faz contraponto à cultura de resultados. E, acima delas, a mais importante é a cultura do propósito. Ter algo pelo o quê lutar e se esforçar é o farol que guia as empresas no mundo incerto em que vivemos rumo ao futuro.


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