Temos uma boa notícia: em relação à COVID-19, a maioria dos países está começando a ver a luz no fim do túnel, à medida que a obrigatoriedade do uso de máscara e as restrições sociais são suspensas. 

A má notícia é que pode ser fácil esquecer como os colaboradores se viram repentinamente forçados a lidar com uma mudança tão importante em suas vidas. 

As pessoas agora podem voltar a bater papo no bebedouro do escritório, mas é importante lembrar que os impactos de 1 ano de isolamento social forçado, incerteza econômica e poucas opções de fuga fizeram com que muitos trabalhadores ficassem oprimidos e se sentissem fatigados devido ao estresse extremo, o desequilíbrio entre a vida profissional e a pessoal e a ansiedade financeira.

No Gympass, analisamos constantemente a saúde e o bem-estar dos colaboradores no mundo todo. Com um extenso banco de dados de mais de 150 milhões de respostas de enquetes com os colaboradores e mais de 30 milhões de comentários (coletados e analisados pela Peakon, uma empresa da Workday), nosso último relatório oferece uma visão clara de como a COVID-19 mudou as atitudes em relação à saúde e ao bem-estar dos colaboradores (para as organizações e para os colaboradores) e o que podemos esperar daqui para frente.

Para começar, está claro que a COVID-19 mostrou a importância da saúde mental e de se priorizar um acesso mais amplo aos recursos de bem-estar, de acordo com o relatório. Compartilhamos aqui as sete lições principais do relatório Apoio à saúde e ao bem-estar dos funcionários durante a pandemia de COVID-19.

 

1. Alguns setores sofreram mais do que outros.

Entre os 11 setores identificados no relatório, as diferenças mais significativas aparecem na educação, onde 59% de todos os comentários dos colaboradores eram relacionados ao apoio à saúde mental. Os professores têm um trabalho difícil mesmo nos melhores momentos, mas está claro que o aumento de horas, as precauções adicionais em sala de aula e a exposição à COVID-19 têm cobrado seu preço.

O bem-estar financeiro é uma preocupação em todos os setores, mas é mais evidente entre os trabalhadores do setor de transportes.

 

2. O apoio corporativo durante 2020 não atendeu às expectativas dos colaboradores.

Todos os anos perguntamos aos colaboradores se sua empresa lhes fornece “informações e apoio para gerenciar a (sua) saúde e bem-estar”. A parcela dos que responderam “sim” caiu na maioria dos setores no ano passado.

Os setores que dependem em grande parte dos colaboradores na linha de frente, como saúde, manufatura, transporte e serviços públicos, viram as maiores quedas. A queda nas pontuações que os colaboradores deram para o apoio organizacional à saúde e ao bem-estar demonstra que as empresas precisam:

  • Investir tempo e recursos para entender o que seus colaboradores realmente precisam para se sentirem apoiados.
  • Adotar uma abordagem mais proativa e prolongada para a saúde e o bem-estar.

3. O compromisso organizacional com a saúde e bem-estar dos colaboradores não é algo universal.

O Gympass entrevistou mais de 2.700 gerentes de benefícios e líderes de RH no mundo todo para entender melhor como as organizações estão abordando a saúde e o bem-estar dos colaboradores atualmente. Quando questionados se concordam que o bem-estar dos colaboradores é “um compromisso real” de sua organização, surgiram respostas diferentes e surpreendentes. 

  • Os líderes de RH do México e dos EUA concordam plenamente com o compromisso da empresa com o bem-estar (embora os números ainda sejam baixos — 35% e 33%, respectivamente). 
  • No Brasil, apenas 14% dos líderes de RH concordam que suas empresas têm um “compromisso real” com a saúde e o bem-estar dos colaboradores.

4. Os aplicativos de bem-estar estão em alta, mas o que mais as empresas estão fazendo agora?

A tendência mais interessante de apoio à saúde e bem-estar dos colaboradores é a popularidade crescente dos aplicativos de bem-estar. Eles agora superam a maioria das outras formas de apoio ao bem-estar. Contudo, o que ainda não se materializou é o apoio integral à saúde mental.

O lado positivo dos aplicativos de bem-estar é que eles podem ajudar as organizações a oferecer uma gama mais variada de soluções de saúde e bem-estar. Porém, eles também não tratam da saúde mental, uma preocupação importante dos colaboradores no ano passado e que muito provavelmente continuará sendo um desafio no mundo pós-COVID-19.

 

5. Também a avaliação do impacto das iniciativas de bem-estar é desigual no mundo todo.

Pouco menos de 1 em cada 3 entrevistados nos EUA (29%) concordam plenamente que confiam nos dados para avaliar o impacto das iniciativas de bem-estar. No Brasil, esse número cai para menos da metade (13%). O que é ainda mais triste é que 1 em cada 4 entrevistados acreditam que suas empresas são neutras em relação ao uso de dados para esse fim.

Aqueles que usam dados para avaliar o impacto de seus programas de bem-estar têm expectativas claras sobre os resultados comerciais que procuram. Entre as seis categorias de resultados comerciais, a mais importante foi a melhoria do desempenho ou da produtividade dos colaboradores, seguida de perto pelo aumento da retenção ou a redução da rotatividade de colaboradores.

 

6. Os indicadores-chave de desempenho (KPIs) mostram que há uma desconexão real na medição.

Das cinco opções declaradas em nossa pesquisa, o KPI que obteve maior resposta foi “maior produtividade”. Isso faz sentido, já que a melhoria do desempenho dos colaboradores é o resultado comercial mais desejado das iniciativas de bem-estar.

Em seguida, vem a desconexão: os custos de saúde foram o segundo KPI observado, seguido pelas quantidades de faltas e, por fim, a retenção. A retenção é o segundo resultado comercial mais desejado e o quarto KPI. 

É lamentável que o compromisso que as organizações estão assumindo com a saúde e bem-estar dos colaboradores esteja caindo quando existe um vínculo claro entre as necessidades dos colaboradores, as ofertas individuais e os resultados comerciais.

 

7. O que esperar de 2021 para frente

A pesquisa mostra algo que pode parecer senso comum: soluções genéricas não são suficientes para garantir a saúde e o bem-estar dos colaboradores Os empregadores precisam construir uma base sólida de saúde e bem-estar que apoie seus objetivos comerciais e seja adaptável às particularidades e necessidades dos seus colaboradores.

A abordagem deve ser dupla:

  1. Assegurar um feedback preciso e constante sobre a saúde e o bem-estar dos colaboradores.
  2. Implementar uma plataforma completa de bem-estar corporativo que abrange milhares de oportunidades virtuais e presenciais para exercícios físicos, nutrição, sessões de terapia individual e muito mais.

Como nosso relatório conclui, as organizações só podem aprimorar a saúde e o bem-estar geral dos colabores se oferecerem as ferramentas e os recursos adequados. Isso, por sua vez, contribuirá para os altos níveis de desempenho e produtividade que serão necessários para o sucesso nos próximos anos.