Um panorama da campanha e as iniciativas que têm capacidade de aumentar o engajamento da causa entre os funcionários

Faz pelo menos duas décadas que outubro ganhou mundialmente uma cor e um movimento de conscientização. Desde então, o movimento vem abrindo novos caminhos para a ciência, se disseminando entre instituições e alcançando o mundo corporativo em suas diferentes esferas.  

A popularidade do Outubro Rosa de fato condiz com o quadro que – mesmo com o avanço da medicina – ainda é alarmante. Dados Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que o câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres no mundo, representando quase um terço de todos os registros globais. Só no Brasil neste ano o instituto estima o surgimento de quase 60 mil novos casos.

Diversas corporações já organizam ações internas voltadas para o Outubro Rosa. Mas é importante pensar em como o movimento gradualmente tomou dimensões maiores, por não só promover a conscientização do câncer de mama como também estimular sua prevenção por meio de hábitos que propiciam o bem-estar e as saúdes física e mental. 

A ampliação da campanha impacta diretamente na forma e na frequência com que ela deve ser comunicada nas empresas. É um momento propício para o RH rever se as mensagens relacionadas têm sido eficazes em engajamento, de maneira que os colaboradores possam entender sobre o tema, e principalmente, se precaver, não somente com procedimentos que identificam a enfermidade (check-up ou autoexame, por exemplo) – mas também por meio de atitudes que garantam mais qualidade de vida (por conseguinte, minimizem as chances do diagnóstico) ou que sejam de caráter social e lhes motive verdadeiramente a abraçar a causa.

Saiba mais sobre o Outubro Rosa e como empresas podem renovar na abordagem da campanha: 

História

A ideia nasceu nos Estados Unidos, na década de 80, com a comoção de Nancy G. Brinker em relação ao falecimento de sua irmã, Susan G. Komen, diagnosticada com a doença. Isso motivou Nancy a fundar uma instituição com seu nome, dedicada à conscientização, ao auxílio a sobreviventes e suporte na cura do câncer de mama. 

Foram organizadas corridas e eventos na época – coincidentemente em outubro – com o objetivo de alarmar a população a respeito da enfermidade. Nesta ocasião também se propagou a primeira versão do lacinho rosa – símbolo emblemático do movimento até hoje.

Ao longo dos anos, a iniciativa foi tomando um patamar global, com o surgimento e filiação de outras entidades, além de apoio de companhias dos mais variados setores. No Brasil, campanhas de maior destaque foram percebidas a partir de 2008.

A atividade física e a prevenção

Apesar de não ter um método que garanta prevenção total em relação ao câncer de mama – dado que existem alguns aspectos genéticos que podem influenciar na aparição da doença –  a ciência tem provado que existem costumes que podem aumentar o risco de seu desenvolvimento. De acordo com a entidade American Cancer Society, o consumo excessivo de álcool, o sedentarismo e o sobrepeso com o avançar da idade são alguns dos relevantes fatores de risco.

Pesquisas que associam a atividade física com a prevenção mostram que o exercício permite a redução do efeito inflamatório, auxilia no controle hormonal e no balanço energético do corpo. Além disso, também apontam que movimentar o corpo por algumas horas durante a semana já pode ser o suficiente. Ou seja, não há evidências de que seja necessária uma alta intensidade ou frequência de exercícios físicos para sair da inatividade. 

Um artigo da revista acadêmica Nature, escrito por pesquisadores brasileiros e americanos, constatou que 12% das mortes causadas pelo câncer de mama no Brasil poderiam ser evitadas caso as mulheres praticassem atividades físicas regularmente. Para chegar a esse número, os cientistas enumeraram pacientes brasileiras entre 1990 e 2015, totalizando mais de 123 mil. Em seguida, cruzaram os resultados com o índice de sedentarismo nacional e os dados que mostram qual a probabilidade de uma pessoa ativa versus uma inativa ter a doença. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde, um indivíduo já é considerado ativa ao praticar 150 minutos semanais de exercício físico moderado. Isso equivale a 30 minutos por dia de caminhada, cinco vezes por semana. 

A abordagem nas empresas 

Tendo em vista as proporções que têm ganhado a campanha do Outubro Rosa, é importante que as companhias reflitam sobre a mensagem que ações internas têm transmitido – e se elas condizem com a abrangência da conscientização. 

Ano após ano de iniciativas, os funcionários provavelmente já compreendem a importância de se precaver por meio de exames de rotina. Pode ser, no entanto, que não enxerguem com profundidade a minimização de casos do câncer de mama por meio do cuidado com a saúde física, do combate a vícios ou maus hábitos, da garantia de uma alimentação mais equilibrada e entre outros aspectos.

Nos últimos anos, surgiram projetos sociais voltados para a luta contra o câncer de mama que ganharam força e tem a capacidade de aumentar o envolvimento no ambiente corporativo. Veja algumas opções para investir ou readaptar: 

  • Distribuição de materiais informativos – um recurso clássico que pode ser aprimorado é decorar a empresa com banners, posters e panfletos relacionados, além de divulgar via intranet e endomarketing, e conceder uma visão 360º sobre o assunto: focar ainda mais nas estatísticas sobre a doença, contar histórias, compartilhar um conteúdo interativo, abordar formas comprovadas de prevenção e maneiras práticas de iniciá-las. Inovar no que já é conhecido é peça chave. 
  • Campanhas de doação – incentivar colaboradores a doarem para alguma instituição é outra boa opção. Existem campanhas, por exemplo, para doar mechas de cabelo para confecção de perucas ou para doar lenços de amarrar ao redor da cabeça. Essas medidas tendem a gerar no trabalhador o sentimento de participação e de estar fazendo a diferença. 
  • Grupos de corrida ou caminhada – uma forma divertida de engajar é organizar equipes para participarem de eventos que ocorrem ao longo do mês de outubro. É uma iniciativa benéfica para a melhorar a qualidade de vida e a interação entre funcionários.  
  • Palestras motivacionais –  palestras e eventos com pessoas que enfrentam/ enfrentaram o câncer de mama, ou com especialistas da área de saúde, também são um meio de semear mais conhecimento e atrair atenção para o tema. 
  • Trabalho voluntário – filiar-se a organizações do movimento e motivar colaboradores a se voluntariar é uma maneira nobre de conscientização. Ademais, permite que enxerguem a corporação com um olhar mais positivo, o que indiretamente contribui para a marca empregadora.
  • Incentivo a exercício físico – outro modo de disseminar o assunto é ressaltando a importância de se manter fisicamente ativo. Isso pode ser viabilizado através da comunicação veiculada durante o mês de outubro e se estender ao longo do ano inteiro através de outros recursos, como por exemplo, ao oferecer ginástica laboral e o acesso a um benefício de atividade física ou desconto em academia.

Não pare por aí

Além dessas medias, é fundamental pensar em projetos e programas destinados especificamente para portadores da doença. 

  • Auxílio à saúde mental – é relevante pensar em programas de apoio psicológico voltados especificamente para quem enfrenta o diagnóstico – pois toda a situação e  o subsequente tratamento são física e mentalmente exaustivos. Ter o amparo da companhia em um momento delicado para o funcionário é uma atitude muito digna.
  • Homenagens – enaltecer quem batalha contra o câncer ou já o superou é não só inspirador e comovente como também pode estimular demais colegas de trabalho a terem mais cuidados consigo mesmos. Isso pode ser feito através de eventos, de geração de conteúdo ou reuniões, por exemplo. 

Ao promover diferentes ações relacionadas ao Outubro Rosa, as corporações possuem uma oportunidade gigante nas mãos de guiar a campanha e seu significado para um outro patamar: além de conduzir a força de trabalho para um nível aprofundado de conhecimento e precaução sobre o tema, elas têm a possibilidade de concretizar com excelência suas culturas corporativas. Tornando-se, assim, fortes provedoras de qualidade de vida e bem-estar para seus funcionários. 

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